Wiki do Ant Universe
Português (Brasil)
Jogar

Notas de campo do Guardião

Os capítulos das Notas de campo são abertos conforme a colônia encontra fragmentos de lore e alcança novas profundidades.

Um pote na escrivaninha

A fazenda chegou numa caixa com a figura de uma formiga feliz na tampa. As formigas lá dentro nunca tinham visto a figura. Só tinham visto umas às outras, a terra e a luz amarela e quente que acendia toda noite.

O primeiro túnel

Alguém cavou o primeiro túnel torto. Todas as outras seguiram por ele mesmo assim, porque era o túnel, e um túnel torto que todo mundo usa é melhor do que um reto que ninguém usa.

Tempo de migalhas

Migalhas caem na fazenda umas três vezes por dia, geralmente depois que o Guardião diz 'opa'. As forrageiras aprenderam que 'opa' é uma boa palavra.

O túnel rival

Do outro lado do vidro vive outra colônia. Nenhum dos lados jamais atravessou o vidro. Os dois lados já desenharam mapas muito detalhados dele.

Grampos

O Guardião derrubou uma caixa de grampos. As construtoras levaram todos para casa, embora ninguém soubesse para que serviam. Mais tarde, sob a luz quente do abajur, descobriram.

A grande tampa

As batedoras relatam que o céu é feito de plástico e tem uma rachadura. Os anciãos dizem que a rachadura sempre esteve ali. As jovens dizem que é justamente por isso que alguém deveria ir ver.

Do outro lado da escrivaninha

A escrivaninha é enorme: um país plano de lápis, colinas de borracha e uma mancha pegajosa que já engoliu muitas boas batedoras. A colônia a chama de Planícies da Lição de Casa.

Era do clipe de papel

Um clipe de papel dobrado do jeito certo é uma escada. Dobrado do jeito errado, é uma armadilha. As construtoras mantêm um registro cuidadoso de qual jeito é qual.

Embaixo da cama

Embaixo da cama é escuro, empoeirado e cheio de coisas perdidas: uma meia, três bolinhas de gude e um mundo inteiro de migalhas que valem tanto quanto meias e bolinhas juntas. A colônia chama o lugar de Tesouro.

Vapor

O carregador do celular zumbe a noite toda e está sempre quente. A colônia construiu sua primeira caldeira ao lado dele e nunca mais ficou no frio.

A Grande Fuga

Certa noite, a colônia inteira saiu pela rachadura, desceu pela perna da escrivaninha e passou por baixo da porta. O Guardião encontrou a fazenda vazia de manhã e riu por muito tempo.

O quintal

Lá fora há vento, que é como ser empurrada por nada, e chuva, que é como ser empurrada por tudo. A colônia decide que gosta de estar lá fora mesmo assim.

Dia do lixo

Uma vez por semana, a lixeira grande é levada até o meio-fio e volta vazia. As forrageiras marcam o dia em todas as paredes: a festa antes, a fome depois.

O galpão do jardim

O galpão guarda máquinas estranhas, um rádio que só toca críquete e uma bateria que faz a terra ao redor formigar. A colônia trata a bateria com muito respeito.

Coisas verdes

A horta produz comida que a colônia não precisa carregar. As forrageiras acham que isso é trapaça. As enfermeiras acham maravilhoso.

A rede

As trilhas de cheiro costumavam dizer 'comida para este lado'. Agora dizem 'comida para este lado, duas migalhas frescas, veja também: o riacho'. A colônia começou a pensar em conjunto.

Luzes da cidade

Além da cerca fica uma cidade, iluminada a noite toda. Do alto da árvore mais alta, as batedoras juram que parece uma colônia também: túneis de luz, operárias voltando para casa.

Para cima

Toda batedora que subiu na torre de rádio desce dizendo a mesma coisa: há mais para cima. Ninguém ainda encontrou o topo do para cima.

O monte de lançamento

O monte mais alto que a colônia já construiu aponta direto para a Lua. As construtoras dizem que é para o clima. Todo mundo sabe que não é para o clima.

Poeira lunar

A Lua é cinzenta, silenciosa e muito longe de qualquer migalha. A primeira batedora a chegar deixou uma única marca de cheiro: 'estivemos aqui'. Ela vai durar muito tempo.

O enxame ao redor do sol

A colônia agora orbita o sol num anel reluzente. É muito brilhante e muito quente, e ainda cheira um pouco à fazenda na escrivaninha.

Uma só mente

Em algum ponto do caminho, a colônia deixou de ser muitas formigas e virou um único pensamento longo. O pensamento é em sua maior parte sobre a rainha, e um pouco sobre migalhas.

O Guardião

O Guardião está velho agora. A fazenda ainda fica na escrivaninha, vazia, com sua rachadura na tampa. Às vezes o Guardião bate no vidro e diz 'opa', só por precaução.

Asas

Toda colônia termina do mesmo jeito que começa: com rainhas aladas subindo na noite, cada uma levando a história inteira para um lugar novo.

Categorias: História